Vacinar os meus filhos? Não, obrigado
Tags:calendário de vacinação, Calendário de Vacinas, vacina, vacinação
03 de Abril de 2010
Como Conceição, há outros pais e mães que, no início da gravidez, optam por não vacinar os seus bebés ou por imunizá-los anos mais tarde do que é proposto pelo Plano Nacional de Vacinação. De acordo com a Direcção-Geral da Saúde, no primeiro ano de vida, 97% das crianças têm a primeira fase de vacinação completa. Justifica os restantes 3% sobretudo com atrasos na imunização.
Procurar equilíbrios Quando os filhos de Conceição tiveram varicela ficaram em casa “a banhos de farinha maisena, que acalma a comichão”, explica. Na sua casa não há wireless, porque “se existe internet por cabo, para quê trazer microondas para a nossa casa?”. Faz tudo parte de uma filosofia de vida “harmónica em relação ao planeta” – filosofia que é partilhada pelo homeopata Francisco Patrício. “Esquecemo-nos constantemente disto, mas temos mais micróbios do que células nossas no corpo e é graças a eles que estamos vivos.”
Quando era mais novo, via o pai, médico convencional, não conseguir curar alguns doentes. Em 1985, enquanto tirava o curso de Medicina, começou a interessar-se por medicinas alternativas. Hoje é director da Sociedade Homeopática de Portugal. Defende que “o ideal seria desenvolver vacinas homeopáticas, para erradicar os efeitos secundários das convencionais” – o mais controverso argumento da corrente antivacinação. Entre as reacções alérgicas temporárias e a febre, também ocorreram casos graves – esclerose múltipla em reacção à vacina da hepatite B – que são difíceis de provar. “É verdade que podem existir reacções adversas, mas é muito residual”, defende o médico de família Amadeu Prado de Lacerda. Ainda assim, “o aparecimento das vacinas foi um grande salto no combate à mortalidade infantil e, em termos científicos, apresentam vantagens”.
No mesmo sentido, Laura Tchampel sabia que tinha de vacinar o filho, hoje com seis anos. “Acho que o sistema imunitário deve ter o seu tempo para se formar, mas nunca poderia deixar o meu filho à mercê de doenças como a poliomielite.” Contudo, casada com um alemão (a Alemanha é um dos países da UE onde a corrente antivacinação tem mais força), cedo começou a estudar os prós e contras da vacinação. A decisão: começar a vaciná-lo mais tarde, dando-lhe uma dose por ano e deixando algumas, como a da hepatite B, para mais tarde. “Achei que o Programa Nacional de Vacinação era brutal”, diz, ainda sem saber se vai vaciná-lo contra o sarampo e a meningite.
O médico do Hospital de São Bernardo, em Setúbal, Prado de Lacerda, não critica muitos dos argumentos destes pais, embora defenda que há “vacinas incontornáveis”, como a da poliomielite, que devem ser administradas sem perguntas. “Foi graças às vacinas que se erradicou a varíola e que houve um recrudescimento da tuberculose. Quem nos dera até que houvesse uma vacina contra o paludismo para os países pobres!”
Admite, no entanto, que algumas sejam desnecessárias. “Quando era miúdo tive varicela, até soube bem não ter de ir à escola. Será necessário prevenir uma varicela ou um sarampo, doenças que até são benéficas e nos fortalecem?” O médico diz que, “se calhar, ainda vamos pagar caro este mundo de prevenção máxima“. A melhor vacina de todas, avança, é “dar uma boa alimentação às crianças e ensinar-lhes cuidados básicos de saúde pública”.
Última atualização: 26/04/2010
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